Sobre juventude e sobre saber

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Quando se é jovem, uma sede de inventar o mundo funciona como  espécie de combustível a dilatar as veias, empurrando tudo para a frente – e às vezes para o ar –  na ânsia de alcançar a linha do horizonte.
Na medida em que o tempo passa, quem começa a andar célere é a linha do horizonte, e as coisas todas vão tomando outra dimensão. Começa-se a perceber que os fatos têm um contexto e que muitas vezes quem os determina  é ele, que nem sempre está em sintonia com nossos desejos. A isso chamamos, então, capacidade de frustração, o que não pode significar, em hipótese alguma, a perda da capacidade de indignação.
A essa altura, já não somos mais aqueles jovens impetuosos. Mas podemos, sim,  já NÃO sermos os mesmos, NEM vivermos como nossos pais, em dissonância com o que diz a música de Belchior.  Isso me faz lembrar uma frase sempre repetida por minha mãe: Tutto il mondo è paese, dizia ela sem ter lido muita coisa sobre globalização, mundialização, internacionalização, realidade virtual e mundo online e sem compreender inteiramente minha vontade de partir. Hoje percebo que não sou a mesma nem vivo como meus pais, mas percebo, também, que há um tempo em que nos fixamos no “fora”. Depois, chega o tempo em que olhamos o “dentro” e aí percebemos que, de fato, “tutto il mondo è paese“.