Acho que nasci no século errado

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Não dá pra voltar, muito menos avançar. É uma pena. Tenho certeza de que muitos mais se sentem como eu, mas estamos todos de mãos atadas ao nosso destino: conviver com situações que se não fossem trágicas, seriam cômicas.

Sexta-feira foi um dia especial, na medida perfeita pra refletir sobre isso. Antes devo dizer: Sou daquelas que assumem o que fazem, não importa o preço a pagar. Sou daquelas que se disserem vou, vão mesmo que chova canivete. Sou daquelas que vibram, que choram, que se arrependem, que voltam atrás e pedem desculpas e que procuram, sempre, melhorar.

Sendo assim, é duro chegar a uma loja, às 10h15min, em um shopping Center, e ouvir da garota que está atrás do balcão: – Você vai ter que esperar até as 11h30, porque o vendedor não chegou e eu não posso “deixar a loja sozinha” para apanhar mercadoria no estoque (que ficava 10 degraus acima de onde nos encontrávamos). Isso, depois de eu convencer a mocinha de que a loja tinha, sim, o que eu queria, pois a mercadoria estava exposta na vitrine, (disputando espaço com um cirurgião muito famoso). Como para algumas coisas sou “lenta”, ainda não conclui se a negativa representava zelo com minha integridade física, caso entrasse um assaltante, ou zelo com integridade da loja, caso o assaltante fosse eu.

Mas o dia havia apenas começado, muito mais viria. À tarde ligo para um consultório médico: – Dá pra ligar mais tarde?, diz uma voz em desespero do outro lado (sabe-se lá quantas vezes havia repetido a mesma história). – Hoje a médica não vem e a secretária aproveita para chegar mais tarde. Eu só quebro o galho atendendo o telefone. Mas não parou por aí, ou melhor, o pior ainda estava por vir.

Ligo para outro consultório médico e outra infeliz, não menos desesperada, repete a mesma história. Mas dessa vez, ela fala do problema e aponta uma solução: – Deixe seu número. Até o final da tarde a secretária liga para a senhora marcando uma hora. E, em seguida, o que mais temia: – Sem falta. Não preciso dizer que continuo esperando.

É disso que se está falando com aquele papo de mercado seletivo, não tem lugar pra incompetente, a concorrência está acirrada? Só agora entendi. – Para esse mundo que eu quero descer.