Pontos sem o respectivo nó

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Pontos de vista são, sempre, também de discórdia, o que não pode ser classificado como ruim. Às vezes há uma sutil diferença que sai esclarecida quando dois ou mais deles são manifestos. Em duas declarações recentes de autoridades governamentais, na semana em curso, vimos isso.
Ao manifestar-se dizendo que os homens trabalham mais do que as mulheres, o senhor Ministro da Saúde mostra um cenário que encontrávamos, de fato, na primeira metade do século XX, se desconsiderarmos como trabalho a jornada quase infernal das mulheres ao desempenharem exclusivamente as tarefas domésticas. Mostra, também, uma desatualização atroz em relação ao espaço ocupado pelas mulheres, hoje, no mercado de trabalho, bem como em relação à desigualdade imposta por ele aos níveis salariais no comparativo homens/mulheres.
Sem dados, sem fundamentação, sem fontes, sem amparo, o Ministro simplesmente lançou ao vento uma infeliz afirmação, o que, a rigor, não pode acontecer com uma figura que representa o Estado.
A segunda infeliz manifestação vem, por coincidência ou não, de outro Ministro de Estado, ao afirmar que a presidenta Dilma gastou demais com Educação, Saúde e Previdência. Não se dá conta, o senhor Ministro, de que um Estado não é e não deveria ser, jamais, administrado como uma empresa? Não se dá conta, o senhor Ministro, de que o papel do Estado é justamente esse: investir, aplicar, “gastar” com a saúde, a educação e a previdência de seus cidadãos? De que serve a um Estado, acumular riquezas, se não as distribui ao seu cidadão? Efetivados os cortes de que tanto falam, que destino deverá ter esse montante todo? A Suiça, como estamos vendo diariamente?
O papel do Estado não é, nem nunca foi, “poupar” apoiado no sacrifício de seu povo. O papel do Estado é, justamente, o de regulador na distribuição de rendas e benefícios que, ao fim e ao cabo, farão girar a roda da economia, senhor Ministro.